quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Emagrecimento

Com o avanço da tecnologia, cada vez menos precisamos despender energia para realizar nossas tarefas comuns. Se quero mudar de canal não preciso mais me levantar, uso o controle remoto, se vou à padaria uso meu carro em vez de caminhar e cada vez mais a população de forma geral vai acumulando energia na forma de gordura devido a sua acomodação.Este texto pretende esclarecer o que se tem de mais atual e científico a respeito do acúmulo de gordura corporal, exercício e emagrecimento. Em primeiro lugar devemos colocar que aumentar de peso não quer dizer necessariamente ter engordado, principalmente para quem pratica exercícios físicos. Obesidade é definido como um acúmulo excessivo de GORDURA corporal. Alguns fatores podem influenciar no acúmulo de gordura corporal, entre eles fatores ambientais, sociais e talvez raciais além da genética, neste último podemos citar a regulação da proteína chamada LEPTINA ou ob, que é responsável pelo controle da saciedade, então, qualquer alteração nesta proteína poderia desencadear problemas relacionados a saciedade. Em última análise, a obesidade está relacionada a um desequilíbrio no balanço energético diário, o que explicarei mais adiante. GORDURA, A ETERNA VILÃ ! Temos como conceito comum que a gordura é sempre vilã e que não deveria nem existir para não precisar mais me preocupar, mas este pensamento é no mínimo enganoso, a gordura desempenha funções importantes no organismo humano. Assim como o excesso de gordura, a sua falta também oferece riscos à saúde. O corpo parece necessitar de uma quantidade mínima de gordura para a manutenção de sua homeostase. Lipídeos essenciais (fosfolipideos) são necessários às membranas celulares, lipídios não-essenciais proporcionam isolamento térmico e reserva energética. Também os lipídios são responsáveis pelo armazenamento e transporte das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), com o funcionamento do sistema nervoso, com o ciclo menstrual, sistema reprodutor e com o crescimento e a maturação, durante a adolescência. Atletas com supertreinamentos e pessaos anoréxicas sofrem de distúrbios fisiológicos decorrentes das baixas quantidades de gordura corporal entre eles estão: amnorréia (alteração/interrupção da menstruação) e enfraquecimento dos ossos. DIFERENÇAS SEXUAIS A distribuição da gordura no homem e na mulher se dá de maneira desigual. Enquanto a média de gordura corporal do homem está em volta dos 14%, nas mulheres esta média é de 22%. A localização desta gordura também é diferenciada nos sexos (gordura sexual), enquanto nos homens encontra-se maior quantidade na região abdominal (tipo andróide ou maçã), na mulher localiza-se nas regiões do quadril e membros inferiores (tipo ginóide ou pêra). É principalmente durante a puberdade que estas alterações endócrinas acentuam-se surgindo as caracterísiticas sexuais secundárias a ambos os sexos. Enquanto no homem a gordura corporal diminui principalmente devido ao aumento da testosterona circulante, na mulher esta gordura aumenta. O tecido adiposo tem um papel importante na função reprodutora e em determinadas culturas são as mulheres gordas as mais valorizadas justamente por representarem boas progenitoras. EXERCÍCIO E EMAGRECIMENTO Primeiramente devemos saber que as células armazenadoras de gordura recebem o nome de adipócitos e do ponto de vista do emagrecimento, o importante é entendermos como a gordura é retirada do adipócito e utilizada pelos músculos envolvidos no exercício. Aquela idéia de que irei fazer 500 abdominais para perder gordura da barriga não existe, pois a gordura não é queimada localizadamente. A gordura armazenada no adipócito encontra-se na forma de triglicerídios (três ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerol). Enquanto realizamos o exercício, vários hormônios como as catecolaminas, o glucagon, o hormônio do crescimento, corticosteróides, entre outros, são liberados na corrente sangüínea, e quando chegam aos adipócitos, provocam lipólise (quebra dos triglicerídios) aumentando as concentrações sangüíneas de ácidos graxos livres (AGL). Esses AGLs são levados aos músculos esqueléticos que os utilizam para a síntese de ATP. O ácido-graxo, agora dentro da célula muscular, precisa ser ativado (incoporação de Acil-CoA) e transportado para dentro da matriz mitocondrial, onde será fracionado em moléculas de dois carbonos (Acetil-CoA) para ser oxidado (Beta-oxidação). Dentro das mitocôndrias, as moléculas de Acetil-CoA são processadas no ciclo do ácido cítrico (Ciclo de Krebs) e produzem NADH e FADH2. Esses últimos são transferidos para a cadeia de transporte de elétrons onde o ATP é finalmente gerado. O FADH2 dá origem a 2 ATP, enquanto que o NADH, a 3 ATP. Do ponto de vista da geração de energia, a glicose e os ácidos graxos são os substratos mais importantes. A oxidação completa de 1g de glicose gera aproximadamente 4 Kcal, enquanto que a mesma quantidade de ácidos graxos (gordura) gera em torno de 9 Kcal. EXERCÍCIO ANAERÓBIO X EMAGRECIMENTO (desfazendo mitos) Atualmente quando se entra em uma academia e o objetivo é o emagrecimento, o primeiro pensamento que está impregnado é: vou fazer só exercício aeróbio (ergometria, natação, step...), mas cada vez mais os estudos mostram que o ideal é a união: EXERCÍCIO AERÓBIO, MUSCULAÇÃO E DIETA ALIMENTAR. Durante o exercício anaeróbio, a utilização da gordura como substrato energético é pequena (acontece mais no repouso entre as séries). A glicose fornece maior parte da energia para o exercício aeróbio. Então devemos considerar o período pós-exercício, porque o organiso está em aerobiose, ou seja, o principal substrato energético é a gordura, através da queima do triglicerídios armazenados nos adipócitos. A ingestão calórica elevada no período após o exercício poderá impedir que as gorduras armazenadas diminuam, isto tanto em exercícios aeróbios como nos anaeróbios. CONCLUSÃO Quando o objetivo principal é o emagrecimento, tanto os exercícios aeróbios como os anaeróbios deverão fazer parte do programa assim como uma dieta balanceada onde não se reduza mais do que 1 Kg de peso corporal por semana, segundo o Colégio Americano de Medicina Esportiva, para que se alcance um emagrecimento efetivo. A dieta e restrição calórica sozinha é capaz de provocar redução na gordura corporal a curto prazo, pois a medida que o tempo passa, o organismo tenta se adaptar a essa nova oferta energética e redus a sua taxa metabólica basal, podendo também causar perda de massa magra (massa muscular) e não de gordura, como é o objetivo. Concluindo, tanto o exercício quanto a dieta separadamente podem causar a perda de massa gorda (gordura) corporal, mas a tanto a longo prazo como na manutenção da saúde os melhores resultados são alcançados quando utiliza-se os dois combinados.

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